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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Casa nova

No passado Domingo mudei-me para a minha nova casa. Uma vez mais, fui muito bem recebida. Todas as pessoas jorram boa-disposição e vontade de ajudar a integrar-me, em todos os sentidos! :) Parece-me que estou muito bem entregue, e sinto que começo realmente a criar as primeiras raízes neste novo país, nesta nova cidade.
Ah, e ontem confirmou-se a multicultura desta casa: durante o jantar falou-se espanhol, português, inglês e francês (e éramos apenas quatro pessoas!).

Não posso deixar de partilhar uma descoberta que fiz no supermercado aqui da esquina: creme para barrar feito a partir de Speculoos. Após adquirir esta maravilha, descobri que é um produto tipicamente belga.
Quem conhece as bolachas Speculoos pode adivinhar as delícias que tal creme proporciona. Para quem não conhece, faço uma breve descrição destas bolachinhas: são doces e crocantes. Provei-as pela primeira vez no Porto, num café cujo nome não me recordo, quando um exemplar desta iguaria acompanhou o chá que pedi (bendito chá!). As Speculoos levam manteiga, açúcar mascavado, farinha, levedura, noz moscada, cravinho, gengibre, cardomomo e pimenta branca. E são simplesmente maravilhosas :)
Desta forma, podem compreender que descobrir este creme para barrar definiu o conteúdo dos meus próximos pequenos-almoços e lanches. Pelo menos enquanto não enjoo (o que, de facto, não sei se algum dia acontecerá).

No que toca aos assuntos relacionados com a Terapia da Fala, finalmente obtive uma resposta esclarecedora relativamente à equivalência de diploma, pelo que já comecei a movimentar papéis, diplomas, títulos e afins. Brevemente farei uma descrição detalhada dos passos necessários, pois acredito que este é o tipo de informação que é realmente útil partilhar.
Além disso, ontem fiz um amigo português que está há 11 anos em Bruxelas. Explicou-me todos os pormenores inerentes à segurança social face ao trabalhador independente. Eu já tinha feito várias tentativas para abordar estes assuntos com pessoas conhecidas em situação de trabalho similar à minha, mas a limitação da língua (francês/inglês) condicionou a compreensão do conteúdo integral da mensagem. Mas agora sim, estou totalmente esclarecida, portanto ainda esta semana oficializar-me-ei como trabalhadora belga! Posteriormente, farei também uma abordagem mais aprofundada deste assunto.

Apesar de as temperaturas começarem a subir devagarinho, deixo uma imagem da "lareira" da sala da minha nova casa, é realmente um mimo quentinho :)
Até breve! *

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Quarto, comida, equivalência de diploma

Olá, espero encontrar-vos a todos de saúde e boa disposição.
Tenho novidades: já encontrei um quarto! Vou mudar-me no próximo Domingo, já tenho as chaves comigo. Parece-me que foi uma óptima oportunidade, pois além de ser uma localização boa - num sítio tranquilo e muito perto das casas onde faço as sessões ao domicílio - tem um preço muito bom a comparar com a média de Bruxelas! Além disso é uma casa multicultural: residem lá dois jovens argelianos e uma menina espanhola. Agora juntar-se-á mais uma especiariazinha ao cocktail, com a entrada de uma portuguesa! Na casa reinará uma dinâmica interessante: falarei em Inglês com um dos jovens, em Portinhol com a espanhola, e através de gestos e desenhos com o outro jovem, porque apesar de ele falar francês, ainda não domino a língua devidamente.

Como já várias pessoas me questionaram em relação aos preços da comida, vou fazer uma breve abordagem. Devo afirmar que fiquei surpreendida quando me apercebi que a diferença de preços não é tão notória como pensei. De facto, se comprarmos marcas brancas, a maior parte dos produtos têm o mesmo preço de Portugal (p.ex: 1 litro leite/0,50eur). Há inclusivamente produtos que me deixaram estupefacta pelo seu preço reduzido. A título de exemplo, encontrei queijo fresco 150gr/0,30eur ou 500gr/1euro.
Contudo, todas as frutas e legumes são caríssimos. E curiosamente, a maior parte é vendida por peça e não por peso. Por exemplo, 1pimento/1euro ou 1kiwi/0,80eur. Além deste tipo de produtos, também os ovos são caros do que o meu habitual: 1 dúzia fica por 2,00eur.
Saliento também que há uma enorme diferença entre as marcas brancas e as marcas conhecidas. Os preços chegam a ser 5 vezes mais! Um doce de framboesa da casa custava 0,91eur, mas a mesma quantidade do mesmo doce da marca XPTO seriam uns modestos 4,70eur.
É preciso é saber fazer contas e não adoptar comportamentos extravagantes :)

Em relação à Terapia da Fala, nos últimos dias tenho procurado informar-me como será possível fazer a equivalência do diploma de Terapia da Fala aqui, para me descansar legalmente quanto à minha prestação de serviços e evitar qualquer conflito com os demais Logopédes.
Porém, todas as entidades que contactei (incluindo CPLOL e a Union Professionellie des Logopédes Francophones) me encaminham para outras entidades, não está nada fácil. Compreendo que estou numa situação um pouco peculiar, mas também acredito que algures, alguém saberá como devo proceder para formalizar esta equivalência, pelo que prosseguirei com os contactos, algum há de resultar! :) Ah, e informo que todas as dicas são muito bem-vindas!

Deixo uma foto, na qual fui "apanhada" por um dos meus meninos. Como podem ver pelo tom de pele, continuo saudável e bem tratada :)



Até breve! *

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Beterrabas

Passado quatro dias, a minha tolerância ao frio continua a ser zero.
Contudo, descobri uma forma de não ficar com as mãos cor de beterraba - pelo menos durante 15 minutos após sair de casa. O segredo está em usar dois pares de luvas! Um par de tecido polar, por dentro, e um outro par de uma espécie de pele, por fora. As luvas polares têm a função de iludir-nos da real temperatura (gelada) das mãos, pois o próprio tecido parece quente. As de pele aparentemente tornam mais difícil a fuga do calor.
E como já espalhei EM VOZ ALTA aos cantos do mundo, continuo a achar que faz falta que um designer/estilista invente um adereço para aquecer o narizinho. Este poderá ser semelhante ao gorro/luvas/cachecol - claro, adaptado à forma do órgão que cheira - e deverá permitir-me continuar a saber onde está o meu nariz e manter a sensibilidade narigal mesmo depois de ter passado a soleira da porta de casa. Compro duas destas peças por 200 euros, desde que sejam esteticamente aceitáveis! Ah, e tenho preferência de cores: castanho clara e preto ou azul escuro.

Em relação à Terapia da Fala, tenho a dizer que acho impressionante constatar o poliglotismo aqui da área. A título de exemplo, o filhote do casal em casa de quem resido fala em português com o pai, em brasileiro com a jovem brasileira, a mãe fala com ele em espanhol e por sua vez ele responde-lhe em francês. Além do facto de estar a aprender inglês na escola. Depois não admira que me chame Cárrôlyne :)

Como hoje vi pela primeira vez o sol e céu azul em Bruxelas (apesar dos -1000ºC), deixo uma foto de um parque sem nome, mas para o localizar minimamente, asseguro-vos que está perto do Musée du Tram e do Parc Parmentier.



Até breve! *